Sou um descendente do primeiro homem que foi formado na Terra, sou o que no ventre de uma mãe foi feito carne. Sou aquele que durante dez meses ganhou corpo no sangue; sou a parte do sémen do homem e do prazer conjugal.
Coisas de um dia – é o que somos, e o que é que o não é? O homem é um sonho de uma sombra. Mas quando uma abençoada claridade acontece, pousa sobre os homens uma luz radiante, e a vida serena.
Somos máquinas de sobrevivência - veículos robotizados cegamente programados de modo a preservarmos as moléculas egoístas a que chamamos genes. Essa é a verdade que me enche de espanto.
Todo o homem, vá ele para onde vá, é acompanhado por uma nuvem de confortáveis convicções, que o seguem como moscas num dia de Verão.
Estamos nas mãos desses deuses, desses monstros, desses gigantes: as nossas ideias.
A humanidade encontra-se suspensa a meio caminho entre os deuses e os animais.
Ao homem, e só a ele, Deus deu as sementes e germes de todas as formas de vida. E são as sementes que cada homem cultiva que amadurecerão e darão nele o seu fruto. Se forem vegetativas, será como uma planta. Se sensitivas, tornar-se-á brutal. Se racional, crescerá como um ser divino. Se intelectual, será como um anjo e filho de Deus.
domingo, 16 de novembro de 2008
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